domingo, 28 de março de 2010

Simplesmente Complicado



Escrito e dirigido por Nancy Meyers, It's Complicated traz Meryl Streep como uma mulher que enfrenta uma crise afetiva e se vê num affair com seu ex-marido, pai de seus filhos, alguns anos após a separação. O longa não é definitivamente o melhor de Meyers (Alguém Tem Que Ceder e Operação Cupido são produções mais interessantes), mas tem o charme e o estilo da diretora. Seus filmes sempre discutem as relações afetivas, regada de um humor ingênuo e romântico ao som de uma bossa nova. Neste longa, o humor nem é o ponto alto da história e Streep nem está em seu melhor desempenho para ser indicada ao Golden Globe Awards, mas o enredo tem carisma. Vale pela cena que Streep e Martin fumam maconha e vão para uma festa da família exibindo um comportamento duvidoso. Participam Steve Martin e Alec Baldwin.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Entre Irmãos



Brothers, dirigido por Jim Sheridan, traz Jake Gyllenhaal, Natalie Portman e Tobey Maguire numa história comovente. Sam é casado com Grace, pai de duas meninas e está seguindo carreira militar. O irmão mais novo, Tommy, se comporta como um eterno adolescente e é incapaz de estabelecer um relacionamento de longo prazo. Sam junta-se às forças de paz da ONU no Afeganistão, vira prisioneiro e é dado como morto. Com o desaparecimento do irmão, Tommy passa a ajudar Grace e suas filhas, tentando fazer suas vidas voltar ao curso normal. Inesperadamente, Sam retorna para casa traumatizado e inquieto. Com a dinâmica da casa alterada, os irmãos terão que lidar com o amor, a lealdade e a mulher entre eles. O roteiro é bem equilibrado: não é suficientemente dramático e contém uma dose de humor. Aliás são as filhas de Sam que trazem um atmosfera mais leve ao longa, com situações engraçadas e espontâneas. Natalie Portman não está brilhante como em outros papéis, mas sua presença tem charme, carisma. Já Maguire parece um pouco perdido em cena, sobretudo quando volta para casa e demonstra uma expressão mais apática. Excelente história, com bom ritmo, dinâmica e desfecho interessante.

domingo, 21 de março de 2010

Toy Story



Mesmo depois de 15 anos de seu lançamento oficial, Toy Story parece atual e produzido ontem. Tem roteiro dinâmico, personagens carismáticos e técnica 3D revolucionária. A animação narra a história do boneco caubói Woody, brinquedo favorito do garoto Andy até ganhar de presente o astronauta Buzz Lightyear. Enciumado, Woody implica com Buzz. Mas os dois caem nas garras do vizinho, um notório destruidor de brinquedos, e são forçados a unir seus esforços para voltarem para casa. A animação tem ainda uma pequena dose de humor negro e muitas piadas estontiantes. Simplesmente não existem furos em seu roteiro. O filme é dirigido por John Lasseter.

sábado, 20 de março de 2010

Amor ou Consequência



Jeux d'enfants traz Marion Cotillard como Sophie, uma jovem que ao lado de seu amigo de infância Julien, inventa um jogo perverso de "Verdade ou Consequência". Entretanto, a brincadeira torna-se um magnífico vício mútuo levando-os a situações desastrosas. O longa francês é dirigido por Yann Samuell e sua fotografia lembra muito Le fabuleux destin d'Amélie Poulain. Sua premissa é interessante, mas sua introdução é confusa, parece não ter profundidade. Entretanto, o roteiro guarda boas suspresas para o espectador com o passar de seu desenvolvimento e brinca com suas expectativas. Destaque para a montagem que dá um ritmo perfeito à história.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas



Sempre soube que Alice in Wonderland era uma viagem psicodélica sem voltas, mas me surpreendi ao assistir a versão de Walt Disney de 1951. Diferente de seus filmes, conhecidos pelos atos musicais e princesas, Alice parece aqui uma menina travessa que quer viver as frivolidades da vida e sem medo. Não considero a animação a melhor da Disney, na verdade creio que, apesar de seus 75 minutos é até extensa e em alguns momentos cansativa, mas é um clássico (e daqueles de encher a boca). As canções poderiam ser mais animadas, mas creio que nem é no filme o foco. Vale pela técnica que completará 60 anos.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O Lobisomem



The Wolfman começa e termina sem saber pra onde vai. Dirigido por Joe Johnston, o longa conta a história de Lawrence Talbot, um homem que retorna da América para sua terra ancestral e no caminho é mordido por um lobisomem. Talbot começa sua assustadora transformação sob a lua cheia e o resto é um belo clichê expressado num roteiro fraquíssimo e que não prende muita a atenção do espectador. Tecnicamente o filme não é tão ruim, mas as transformações de Talbot poderiam ser mais naturais. A história parecia mal desenvolvida, não há envolvimento qualquer da audiência pelos personagens e nem mesmo entre eles.

domingo, 7 de março de 2010

Guerra ao Terror



The Hurt Locker pode não ser um excelente filme, mas tem uma técnica de boa qualidade (e por isso entenda-se montagem). Mas discordo de muitos elogios e prêmios recebidos pelo filme incluindo o Oscar. O longa é um retrato violento dos soldados de elite no Iraque que fazem o trabalho mais perigoso do mundo: desarmar bombas no coração de um combate. Neste cenário surge um novo sargento, James, que assume uma equipe altamente treinada em desarmamentos. Além dos perigos já conhecidos, ele surpreende seus dois subordinados imediatos, Sanborn e Eldridge, lançando-os de forma imprudente num combate mortal. Kathryn Bigelow, que assina a direção, merece crédito pelo seu trabalho mas não o suficiente para ganhar o título de melhor filme e direção deixando Avatar e Bastardos Inglórios de mãos vazias.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Fantástico Sr. Raposo



Fantastic Mr. Fox, escrito e dirigido por Wes Anderson, é o melhor projeto de sua filmografia. A animação é baseada no livro infantil homônimo de Roald Dahl e conta a história de um grupo de fazendeiros que, cansado de dividir suas galinhas com uma raposa intrometida, resolve acabar com seu oponente, o astuto Mr. Fox. O filme traz parceiros antigos de Anderson como Jason Schwartzman, Bill Murray e Owen Wilson e nomes novos que incluem George Clooney e Meryl Streep. A animação é um stop-motion riquíssimo em detalhes e expressões e os personagens tem perfeita sincronia e dinâmica. O roteiro tem diálogos bem elaborados e uma premissa divertida, aliás o senso de humor, marcado pela ironia do diretor, se faz presente aqui também. A construção psicológica dos personagens também é algo relevante, já que a maioria, traz complexos, nuances e virtudes peculiares e que se misturam entre a psiquê humana e o instinto animal. Outro ponto fortíssimo do filme é sua trilha sonora, algo que Anderson sabe sempre cuidar muito bem em seus projetos, e que inclui Alexandre Desplat, The Beach Boys e The Rolling Stones. A animação é leve, engraçada e creio que Wes Anderson tenha executado um excelente projeto. George Clooney está muito bem no filme, dubla com carisma e agilidade Mr. Fox. Entretanto, Meryl Streep - numa situação inusitada - parece apagada em cena, sem muito destaque ou relevância. Concorre ao Oscar nas categorias Best Animated Feature Film e Music (Original Score).

terça-feira, 2 de março de 2010

O Segredo de Kells



The Secret of Kells é seguramente uma das mais espetaculares animações que já vi, de extremo bom gosto e de técnica sofisticada. Dirigido por Tomm Moore com colaboração de Nora Twomey, o filme narra a história de um menino em busca do famoso Livro de Kells, também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba. Trata-se de um manuscrito em latim, ilustrado com motivos ornamentais e feito por monges celtas por volta do ano 800 no estilo conhecido por arte insular. O livro tornou-se com os anos a peça principal do cristianismo irlandês e da arte hibérnica-saxônica. Ainda que não tenha sido concluído, constitui um dos mais suntuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. O Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas. O filme tem excelente ritmo, tem duração de apenas 75 minutos mas apresenta um roteiro bem estruturado que inclui adequada apresentação dos personagens, introdução da premissa e sua resolução não é boba e nem previsível. Visualmente a animação é uma obra de arte. A técnica utilizada é o simples 2D, mas seu requinte está justamente na mistura de figuras do próprio Livro de Kells como cenário, inserção de símbolos que representam a psiquê dos personagens (sombras, formas, emoções exacerbadas) e da trilha sonora que inclui uma pitoresca canção cantada pela fada Aisling. Concorre ao Oscar na categoria Best Animated Feature Film.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Um Homem Sério



A Serious Man, escrito e dirigido pelos irmãos Coen, parece ser um tiro no escuro. É difícil compreender como a história evolui, pra onde vai e no desfecho o que acrescentou à audiência. Caracterizado como comédia de humor negro, o filme difere-se muito de seu antecessor Burn After Reading, que traz situações mais irônicas e momentos mais tensos. Aqui a premissa parecia vazia, desinteressante, boba e sem foco algum. Tecnicamente o projeto é bom, mas não o suficiente para segurar a audiência por muito tempo. Michael Stuhlbarg interpreta o patético professor Larry Gopnik, chefe de uma família judia, ambientada nos anos 60, que vê sua vida mudar quando sua esposa anuncia o divórcio. O longa é certamente superestimado, não tem carisma e nem ritmo e seu elenco parece não muito entrosado. Os diálogos são insossos, é cansativo do começo ao fim e nenhum personagem parece ter uma história realmente profunda e atraente. Concorre ao Oscar nas categorias Best Original Screenplay e Best Picture.