
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire parece ser a ovelha negra do cinema americano deste ano, embora a expressão não definiva algo pejorativo ou seja sinônimo de rejeição. A bem da verdade, nos últimos anos sempre surge um filme alternativo e de baixo orçamento que acaba sendo cultuado pela crítica e às vezes pela audiência. Little Miss Sunshine teve seus créditos merecidos e Juno deixou um pouco a desejar. Precious entretanto é um longa baseado num mix de desgraças aleatórias que foi apadrinhado nada menos que por Oprah Winfrey e acabou tornando-se a sensação dos festivais. No Harlem, em Nova York, uma jovem adolescente negra, obesa, analfabeta e grávida de seu segundo filho é convidada a matricular-se numa escola alternativa na esperança de que sua vida tome um rumo diferente. O filme é uma adaptação do romance homônimo escrito por Ramona Lofton (conhecida como Sapphire), que descreve a dura realidade de Claireece Precious Jones, que resistiu a uma juventude marcada pelo sofrimento. Precious cresceu pobre, revoltada, gorda e jamais recebeu carinho e atenção. O filme é de mau gosto, tem um roteiro mal escrito (embora não tenha lido o livro para fazer equivalências) e tem um apelo gratuito para que a audiência caia em choro e pesar pelas dores vividas por ela. A história tem 110 minutos mas é cansativa do começo ao fim e nem as sequências mais suaves, que representam o imaginário da protagonista, salvam. Gabourey Sidibe (Precious) pode até ser considerada uma boa atriz se a intenção era mesmo criar uma personagem apática, sem carisma e que não arranca empatia do espectador nem mesmo por sua dor. Mo'Nique vive Mary Jones, mãe de Precious, cúmplice e causadora do caos familiar em que a história se passa. Os cantores Mariah Carey e Lenny Kravitz desnecessariamente ainda participam do projeto. Ela atua como se estivesse dopada, sem reflexos, apresenta fala lenta e vaga; ele aparenta ter um jeito soberbo e esnobe que seu personagem não parece ter. Precious é abusada pelo pai, pela mãe, engravida e tem que contracenar com a Mariah Carey. O sofrimento não tem fim! A cena final chega a ser ridícula quando reúne mãe, filha e assistente social para discutir o futuro da garota. O que sobra é apenas uma verborragia digna de escárnio num diálogo da mãe, que tenta justificar suas atitudes passivas e covardes baseando-se num amor egoísta e mesquinho pelo namorado. O filme, dirigido por Lee Daniels, é cheio de clichês e parece querer abraçar o mundo trazendo em seu roteiro todos os problemas e tragédias possíveis. Compreendo que o cinema pode funcionar perfeitamente como meio que traz o entretenimento e ao mesmo tempo a reflexão, mas tornar Precious um produto cult, conceituado é dizer que qualquer obra, caótica e mal elaborada, é resultado da criatividade ou livre expressão. O cinema não é feito somente de bons momentos, de atriz bonitas ou histórias felizes, mas até mesmo os dramas mais incômodos, vis e infortúnios são resultado da organização, depuração e ordem da originalidade e pensamento. Muitos diretores contribuíram em excelentes filmes deste gênero. Lars von Trier, por exemplo, soube equilibrar muito bem essa fórmula e trouxe um drama pesado e profundo com Björk em Dancer in the Dark (Dançando no Escuro); onde, embora a tristeza e a desgraça perseguissem igualmente a protagonista, ali pelo o menos se fazia presente o know-how, o bom senso, o bom gosto e uma prepotência infinitamente menor. O longa concorre ao Oscar nas categorias Best Picture, Best Director, Best Actress com Gabourey Sidibe, Best Supporting Actress com Mo'Nique, Best Writing (Adapted Screenplay) e Best Film Editing.
2 comentários:
É um bom filme, mas um tanto superestimado pela Academia e outras premiações. Vale mais pelas atrizes, todas ótimas.
Vinícius P., é superestimado mesmo. Eu não consegui ver muitos aspectos positivos não.
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