
Nine, dirigido por Rob Marshall e baseado no musical homônimo da Broadway, traz a semi-biografia do diretor italiano Federico Fellini influenciado sobretudo por sua obra 8½. O musical tem 118 minutos e traz um elenco formidável e nomes como Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman e Judi Dench. A bem da verdade, o filme é fraco, tem histórias desconexas e os atos musicais não são tão envolventes e bem estruturados como seu antecessor Chicago, mas vale a pena ser visto. Kidman foi escalada para substituir Catherine Zeta-Jones e Cruz fez testes para o papel de Claudia, interpretado por Kidman. Day-Lewis entrou para substituir Javier Bardem e Marion que inicialmente faria o papel de Judi Dench acabou sendo escalada como Luisa, esposa do protagonista. Fergie foi escalada por último e rumores dizem que Katie Holmes e Demi Moore fizeram testes mas não foram aprovadas. Aliás sempre questionei a presença de Fergie no filme. Como cantora tem seu trabalho reconhecido, mas não uma carreira sólida como atriz, sobretudo jogada no meio de atores tão respeitados. Todavia seu ato é um dos melhores do longa, levando em consideração o conjunto música, coreografia, fotografia e montagem. Creio que isso se deva ao fato da música interpretada por Fergie, "Be Italian", ser a mais intensa, passional e memorável da obra. Por outro lado a melhor voz é a de Marion Cotillard, a melhor letra ou canção é a interpretada por Kidman e a definitivamente a melhor melodia e a mais viciante é a canção inédita "Cinema Italiano", composta somente para o filme e interpretada pela carismática Kate Hudson. Trata-se de um ato mais pop, com ritmo mais agitado e com visual bem elegante. Aliás o figurino do filme é impecável e contrasta com a fotografia mais escura, ora preto e branco. Nine concorre nas categorias Best Supporting Actress com Penélope Cruz, Best Art Direction, Best Costume Design e Best Original Song com a canção "Take It All" interpretada por Marion. Destaque para duas sequências: overture (introdução dos personagens) e o desfecho (que reune novamente todo o elenco). Na verdade estes dois pontos funcionam como pontos de ligação mas não parecem ter começo nem fim, já que há o emprego constante da metalinguagem na obra e o ato final traz a tona todos os plots. Este mesmo ato brinca com a idéia de continuidade da obra do protagonista Guido Contini, que vive um bloqueio criativo e a partir de suas frustrações e reflexões consegue produzir uma nova história.
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