
Los Abrazos Rotos não é o melhor filme contemporâneo de Pedro Almodóvar, mas traz muito das características de sua filmografia dos anos 80. Aliás a própria forma como a narrativa é construída, misturando passado e presente, reforça uma estética retrô. Entretanto, visualmente o longa se distancia ligeiramente dos padrão almodovariano. As cores vibrantes como o vermelho é usado mas de forma menos intensa e menos frequente. Além disso, não há uma presença tão marcante do kitsch aqui como em outros filmes. Por outro lado, a história conserva padrões autorais como o universo feminino, presença de personagens homossexuais e a metalinguagem (camada primária do enredo). Harry Caine é um escritor cego. Ele escreve, vive e ama no escuro. Harry tenta de todas as formas eliminar as cicatrizes do acidente que lhe tirou a visão, 14 anos atrás, quando ainda usava seu nome real, Mateo Blanco, e dirigia seu último filme. Foi nesse momento, também, que ele perdeu a mulher de sua vida, Lena - vivida pela belíssima Penélope Cruz, que está bem mas não em sua melhor performance. Um aspecto positivo da trama é na verdade um ponto comum dos filmes de Almodóvar - a pluralidade de tramas e sua complexidade. Normalmente essas mesmas tramas criam um dinânima comum em determinado ponto levando a uma crise e posterior resolução. O filme, ora aqui produzido dentro do outro filme, é Chicas y Maletas, uma comédia de humor negro que é o objeto principal do affair entre Penélope Cruz e Lluís Homar. O longa, que é assinado e dirigido por Almodóvar, tem 127 minutos. Destaque para a narrativa thriller que apesar de não muito misteriosa no começo se enrique com o desenvolvimento do passado.
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