The Ugly Truth teria tudo para ser um filme ligeiramente melhor se não forçasse o affair entre a dupla protagonista. Uma amizade seria suficiente para alimentar a química (fraca, mas que existe) entre Katherine Heigl e Gerard Butler. O filme tem algumas passagens engraçadas como o momento em que ela fica presa na árvore e na cena do restaurante quando veste a calcinha que havia ganhado dele. Tirando estes dois momentos o filme é fraco. É recheado de clichês e nem tem um plot tão forte que prenda a atenção da audiência. O roteiro também disserta sobre a velha guerra dos sexos. O longa tem 97 minutos e é dirigido por Robert Luketic.
Avatar 3D, dirigido e escrito por James Cameron, é com certeza um dos melhores filmes contemporâneos. Não apenas por sua tecnologia, mas sobretudo pelo brilhante e de bom gosto roteiro. O filme em 3D não diferente de outros projetos que utilizam a mesma tecnologia. A bem da verdade, apenas aumenta a sensação de profundidade de campo e muito raro projeta objetos mais próximos do espectador. As sequências dentro da floresta obviamente tornam-se mais bonitas com o uso dos óculos, mas o grande segredo do sucesso está na direção de arte. A fotografia ganha um ar sofisticado com o uso do neon sobretudo quando os personagens trazem elementos como animais e plantas. Aliás a construção de Pandora é rica em detalhes e criativa: língua, animais com funções complexas e peculiares, plantas cheias de significados. É um mundo encantador sobretudo aos olhos. A trilha sonora é também brilhantemente executada. É sutil na maior parte do longa, mas o uso de instrumentos de sopro e pequenas percussões criam uma atmosfera intimista e que lembra a própria cultura indígena brasileira. Somada a estes sons da natureza, a trilha brinca com fonemas desconhecidos mas que fazem analogia a uma língua tribal. Os conceitos aplicados dentro de Avatar são também de grande valor. Aliás muito se discute sobre ecologia e muitas vezes de modo formal e não atrativo. A obra de Cameron faz o inverso. Traz uma narrativa de alta imersão que carrega naturalmente a idéia de valorização da natureza e mostra as consequências que o desrespeito a ela pode trazer. E o respeito a essa ordem não restringe-se apenas ao tangível como a fauna e flora, mas toda a complexa organização mística e social que a abrange. O filme traz conceitos religiosos bastante interessantes, como em The Fountain. A idéia de um povo que acredita na religiosidade como forma de equilíbrio social é real. Além disso, a crença que a vida não termina no corpo físico fica evidente no meio do filme durante um enterro quando o povo Na'vi diz que tudo o que somos (nosso corpo) um dia volta às suas origens (Pandora) mas sua essência permanece a Eywa (espiritual). No desfecho do filme há também outro exemplo curioso, quando Neytiri ajuda o corpo físico de Jake Sully e não necessariamente o Avatar, porque entende que o importante não é o aparelho em si, mas a essência, as idéias e sentimentos. O longa tem 161 minutos, mas não é cansativo em ponto algum. O roteiro não tem pontos mais dinâmicos ou cansativos que outros. É equilibrado na medida certa e quando os créditos sobem resta uma sensação de bis, de continuação. Não necessariamente desdobrado num segundo filme, mas na própria extensão em minutos da obra. Avatar pode conter ligeiros erros ou defeitos, mas visto em sua completude torna-se um filme perfeito. Tecnicamente é rico em detalhes, tem tecnologia de ponta e um visual original e bonito. Seu poder de imersão, carisma e agradabilidade já não são paupáveis e obviamente são relativos, mas é um filme que certamente se tornará um clássico.
Dirigido por Benjamin Louis, State's Evidence narra a história de um jovem adolescente que decide filmar sua rotina em casa e na escola e posteriormente seu suicídio. Alguns amigos mais próximos gostam da idéia e aderem à decisão. O grupo então passa a filmar tudo o que faz e usa a câmera como instrumento de desabafo e justificativa para a morte. Os jovens só não faziam idéia que a história tomaria outro rumo frustrando o "projeto". O filme tem intermináveis, longos e cansativos 89 minutos. O roteiro é pretensioso ao extremo, fraco e de mau gosto. Numa tentativa (fracassada) de tornar o produto mais cult, percebe-se a existência de diversos nomes e pensamentos da filosofia. O elenco é fraquíssimo, beira ao amadorismo. Péssimo filme.
New Moon, dirigido por Chris Weitz e baseado na série de livros Twilight, nem é tão frustrante como parte da crítica disse ser. De fato o filme está longe de ser uma obra atraente e bem feita e dos seus 130 minutos, apenas 30 soam razoavelmente interessantes. O resto do longa se arrasta numa verborragia água com açúcar entre Bella e Edward e o triângulo que envolve Jacob. É evidente que os livros sejam escritos para adolescentes, mas sua adaptação para o cinema e seus diálogos menosprezam a inteligência do espectador com perguntas que envolvem "você cortou o cabelo?" quando a protagonista vê Jake com novo visual. Outra cena terrivelmente estruturada é quando ele vai ao cinema com Bella e sentados na escada são interrompidos por um classmate dela. Jacob se levanta irado, fazendo caretas numa interpretação que rende risos gratuitos. Bella é definitivamente interesseira. Quando é abandonada pelo vampiro e se vê sofrendo pela perda tenta se aproximar de Jacob. Primeiro porque necessita de seus favores como mecânicos, segundo porque quer manter sua cabeça ocupada e longe de Ed. Quando o vampiro retorna, Bella simplesmente rechaça o lobo, cria um drama por sua amizade, diz que o amo, mas que é preciso se afastar. Bella aliás não tem nenhum carisma. Passa a maior parte do tempo sugando energias que alimentam suas fantasias num bizarro relacionameto com o vampiro Edward e sofre de amor como se nunca tivesse vivido. Há neste caso uma exacerbação das emoções de forma tão ilógica e irreal que causa efeito inverso. A protagonista deixa de ser a indefesa garota em busca de sua paixão, para se tornar a garota de personalidade forte e intolerável que não mede esforços para satisfazer seu amado. Edward por outro lado, atrás de uma maquiagem que ligeiramente está melhor no segundo filme, exprime apatia. Sua personalidade aparentemente dócil e tranquila é na verdade a ausência de uma essência de caráter. Edward em alguns momentos causa raiva ao espectador, impulsionado por sua falta de ação; em outros faz doer o ouvido da audiência que é obrigada a compartilhar a troca de frases artificialmente emotivas entre o casal. Jacob não foge do padrão. Apesar de ter um tipo mais protetor, sua presença em cena não gera a química necessária que seu rival tem. Fisicamente é mais avantajado, é mais atraente, mas falta-lhe maturidade para compreender a natureza do seu relacionamento com Bella. Os 30 melhores minutos do loga estão justamente na curta viagem para Itália. Nesta sequência, há uma pequena mas suficientemente tensão no roteiro: o espectador é incitado a descobrir o que pode acontecer com o vampiro e a decisão a ser tomada com o casal e Alice pelos Volturi. Neste momento o filme sofre uma ligeira contração mas volta à sua mesmice. As cenas que envolvem a família Cullen também são boas e tão uma atmosfera mais agradável que as acontecidas dentro da casa de Bella. Um ponto positivo já comentado por alguns é a trilha sonora do longa que abrange um estilo indie rock e alternative rock.
O título traduzido para o português explica um pouco a história do longa do francês Michel Gondry mas não tem o mesmo charme do original La Science des rêves nem do inglês The Science of Sleep. Com Gael García Bernal, o filme tem diálogos em francês, espanhol e inglês e duração de 105 minutos. Gondry, que assina também o roteiro, constrói uma divertida história sobre um jovem que tem um programa de TV onde explica a lógica e a ciência que existe por detrás dos sonhos. Visualmente o filme é belíssimo. Em alguns partes é feito com animações em stop motion. Em outras, onde a temática onírica invade a tela, a história é amparada por simbologias, artes e um visual moderno e vanguardista de extremo bom gosto.
Bride Wars traz Anne Hathaway e Kate Hudson como duas amigas inseparáveis que se tornam rivais quando descobrem que marcaram seus casamentos para o mesmo dia. Dirigido por Gary Winick, o filme de 89 minutos tem um divertido roteiro e é uma comédia romântica em que o foco é na verdade não uma paixão, mas a amizade. Hudson esbanja beleza e carisma contrastando um pouco com Hathaway, que talvez por ter uma personagem menos atraente, se destaca menos. Destaque para a cena em que Hudson pinta seu cabelo de azul e Hathaway ganha um exagerado bronzeado artificial.