domingo, 27 de dezembro de 2009

Avatar 3D



Avatar 3D, dirigido e escrito por James Cameron, é com certeza um dos melhores filmes contemporâneos. Não apenas por sua tecnologia, mas sobretudo pelo brilhante e de bom gosto roteiro. O filme em 3D não diferente de outros projetos que utilizam a mesma tecnologia. A bem da verdade, apenas aumenta a sensação de profundidade de campo e muito raro projeta objetos mais próximos do espectador. As sequências dentro da floresta obviamente tornam-se mais bonitas com o uso dos óculos, mas o grande segredo do sucesso está na direção de arte. A fotografia ganha um ar sofisticado com o uso do neon sobretudo quando os personagens trazem elementos como animais e plantas. Aliás a construção de Pandora é rica em detalhes e criativa: língua, animais com funções complexas e peculiares, plantas cheias de significados. É um mundo encantador sobretudo aos olhos. A trilha sonora é também brilhantemente executada. É sutil na maior parte do longa, mas o uso de instrumentos de sopro e pequenas percussões criam uma atmosfera intimista e que lembra a própria cultura indígena brasileira. Somada a estes sons da natureza, a trilha brinca com fonemas desconhecidos mas que fazem analogia a uma língua tribal. Os conceitos aplicados dentro de Avatar são também de grande valor. Aliás muito se discute sobre ecologia e muitas vezes de modo formal e não atrativo. A obra de Cameron faz o inverso. Traz uma narrativa de alta imersão que carrega naturalmente a idéia de valorização da natureza e mostra as consequências que o desrespeito a ela pode trazer. E o respeito a essa ordem não restringe-se apenas ao tangível como a fauna e flora, mas toda a complexa organização mística e social que a abrange. O filme traz conceitos religiosos bastante interessantes, como em The Fountain. A idéia de um povo que acredita na religiosidade como forma de equilíbrio social é real. Além disso, a crença que a vida não termina no corpo físico fica evidente no meio do filme durante um enterro quando o povo Na'vi diz que tudo o que somos (nosso corpo) um dia volta às suas origens (Pandora) mas sua essência permanece a Eywa (espiritual). No desfecho do filme há também outro exemplo curioso, quando Neytiri ajuda o corpo físico de Jake Sully e não necessariamente o Avatar, porque entende que o importante não é o aparelho em si, mas a essência, as idéias e sentimentos. O longa tem 161 minutos, mas não é cansativo em ponto algum. O roteiro não tem pontos mais dinâmicos ou cansativos que outros. É equilibrado na medida certa e quando os créditos sobem resta uma sensação de bis, de continuação. Não necessariamente desdobrado num segundo filme, mas na própria extensão em minutos da obra. Avatar pode conter ligeiros erros ou defeitos, mas visto em sua completude torna-se um filme perfeito. Tecnicamente é rico em detalhes, tem tecnologia de ponta e um visual original e bonito. Seu poder de imersão, carisma e agradabilidade já não são paupáveis e obviamente são relativos, mas é um filme que certamente se tornará um clássico.

2 comentários:

O Cara da Locadora disse...

To concordando com você, rs... Vou sentir falta de Pandora... :)

Lucas Oliveira disse...

O Cara da Locadora, o filme dá mesmo uma sensação de quero mais!